quarta-feira, 23 de abril de 2025

Queima do Judas 2025: o testamento

Testamento Judas 2025

Desde há 20 anos que enunciamos

Dificuldades, questões e problemas,

As queixas parecem as mesmas

É que nem se mudam os temas!


Por isso este ano no testamento

Trazemos algumas queixas antigas

Somamos os problemas novos 

Às mesma velhas cantigas.


Falemos da nossa terra

À beira-mar plantada

Desde 2005 que dizemos, sem pudor

A forma como é tratada.


O que me parece a mim, 

Que tudo vejo e comento

É que mais faz o povo em comunidade

Do que políticos com todo o seu procedimento.


Associações, Círculos e Presidências,

Gentes da terra, do mar e da cidade,

Não se distraiam! Cansam-me as paciências...

Todos trabalhamos prá mesma comunidade!

 

Na vila esquecida, promessas em vão,

política em jogo, disputa em ação.

E entre palavras que ferem e doem,

quem cuida da terra que todos constroém?


Nas contas perdidas, um eco a soar,

doze milhões que o vento levou ao mar.

Fotografias a preço de ouro, um luxo imortal,

mas quem paga a conta é o povo leal.

 

Promessas ao vento, jogo de poder,

quem manda agora faz esquecer.

Mas a verdade insiste, não quer calar,

Vila do Conde não vai parar!


Para o Teatro e Auditório municipal,

gostava de comprar uma agenda:

para ensaiar um programa experimental

dos que resulta e se recomenda.


E o poder político e a religião? 

O Chefe, já sabem, não perde uma procissão. 

O Prior é grande amigo do sacristão e o

Centro Paroquial é construído com o guito do povão. 


Estado laico! 

Sim, claro, pois então?


Aos bancos desta cidade

deixo uns depósitos a prazo chorudos.

Não lhes interessa apoiar a comunidade;

sustentam-se, connosco, os beiçudos!


Ao Círculo Católico dos Operários,

trazemos votos da eleição,

que venha governo com menos calvários

e mais trabalho e colaboração!


E o alojamento local

A aumentar a cada ano...

Já a esquadra e o hospital

Ficam pr ́a segundo plano.


Vós políticos sois culpados

Desta miséria da gente

Deixo-vos dois rebuçados

Que o povo fica contente


Dividir para reinar, 

Já é estratégia antiga,

Tomem bem cuidado 

É isto que nos fazem à vida!


Mas não temam, há esperança,

Já temos hotel de luxo! 

Já nem penso no hospital,

vou para o resort se me doer o bucho! 

 

Ó mandantes desta praça,

Estão a ouvir Srs. doutores?!

Os jardins têm mais graça

Sem feiras e sem tractores.


Para vós guardei tormentos

Tsunamis, tempestades

Serão só suaves ventos

Soprando minhas vontades.



O país vai de novo a votos,

Parece prática comum

E no meio de tanta campanha

Não quero escolher nenhum!


Políticos sérios e com ética

Estão em risco de extinção

Que entre empresas e filhos, 

São eles que comem o pão!

 

Vão encher-vos de sonhos

Todos cobrados a crédito

Pra que não fiqueis tristonhos

Não é o feito inédito.

 

Preguem um molho de cravos

Bem na cabeça do facho

Lembrar como somos bravos

Quando os vemos comer do tacho.


Ah, se forem agora de férias, 

Atenção com a bagagem

É que há um Judas que a rouba

E nem cuecas te sobra para viagem!


Se na Europa há guerra,

E todos desejam a paz,

Há guerras noutros continentes,

Mas a opinião pública nada faz.


Não há dúvidas, nem para mim,

Que não há justiça na guerra,

Mas não é por ser mais longe

Que me esqueço dessa terra.


Palestina será falada

Nos livros de história futuros,

Somos nós as testemunhas

Dos tempos mais obscuros.


E lá pelas Américas

O que se andará a passar?

Será que não há um meio

Daquele abestado calar?


Eu, o Fogo, 

Sou a chama de todos vós

Não criei também aquele… coiso

Ele nem tem mãe nem avós.

 

Com o medo e o orgulho

Pensa conseguir reinar

A que custo, de que vidas

Esta loucura irá continuar?


Se há gente que ele detesta,

são os de fora a chegar.

Mas sem o braço que emprestam,

quem é que vai trabalhar?


Uns gritam: “fechem a porta,

não deixem mais imigrar!”

Mas esquecem que esta horta

já não tem quem a lavrar.


Dizem que são um problema,

mas não veem a razão:

a reforma está em cena

graças à sua contribuição.


O país vai envelhecendo,

já nascem poucos por cá.

Se não forem bem-vindos,

quem é que nos cuidará?


Por isso a todos e todas

Que são anti-imigração,

Chuva e frio vos congele 

O preconceito e a posição.


Nesse barco o ódio é o isco

com que se pescam os desprevenidos.

Não fizemos Abril p’ra isto

Remem daqui ou estamos Fudidos!


Não vos quero dizer mais,

Porque muito já foi dito,

Agora não se demitam 

Do que combinamos neste escrito.


É urgente que não esqueças,

O fogo sozinho não faz

Nem mesmo com a Primavera

Toda a transformação e paz!


É preciso que te ponhas

Hoje mesmo em ação,

Não vivemos tempos fáceis,


Se há solução

é com união!


Se há solução

é com união!



E agora o fogo vou levar para o Judas queimar. 



Judas 2025 

Sem comentários:

Enviar um comentário

20 Primaveras | Queima do Judas Vila do Conde

20 Primaveras | Queima do Judas Vila do Conde de Queimados 20 Primaveras ao vivo by Queimados 3 de maio 2025 no Auditório Municipal de Vila ...