Testamento Judas 2025
Desde há 20 anos que enunciamos
Dificuldades, questões e problemas,
As queixas parecem as mesmas
É que nem se mudam os temas!
Por isso este ano no testamento
Trazemos algumas queixas antigas
Somamos os problemas novos
Às mesma velhas cantigas.
Falemos da nossa terra
À beira-mar plantada
Desde 2005 que dizemos, sem pudor
A forma como é tratada.
O que me parece a mim,
Que tudo vejo e comento
É que mais faz o povo em comunidade
Do que políticos com todo o seu procedimento.
Associações, Círculos e Presidências,
Gentes da terra, do mar e da cidade,
Não se distraiam! Cansam-me as paciências...
Todos trabalhamos prá mesma comunidade!
Na vila esquecida, promessas em vão,
política em jogo, disputa em ação.
E entre palavras que ferem e doem,
quem cuida da terra que todos constroém?
Nas contas perdidas, um eco a soar,
doze milhões que o vento levou ao mar.
Fotografias a preço de ouro, um luxo imortal,
mas quem paga a conta é o povo leal.
Promessas ao vento, jogo de poder,
quem manda agora faz esquecer.
Mas a verdade insiste, não quer calar,
Vila do Conde não vai parar!
Para o Teatro e Auditório municipal,
gostava de comprar uma agenda:
para ensaiar um programa experimental
dos que resulta e se recomenda.
E o poder político e a religião?
O Chefe, já sabem, não perde uma procissão.
O Prior é grande amigo do sacristão e o
Centro Paroquial é construído com o guito do povão.
Estado laico!
Sim, claro, pois então?
Aos bancos desta cidade
deixo uns depósitos a prazo chorudos.
Não lhes interessa apoiar a comunidade;
sustentam-se, connosco, os beiçudos!
Ao Círculo Católico dos Operários,
trazemos votos da eleição,
que venha governo com menos calvários
e mais trabalho e colaboração!
E o alojamento local
A aumentar a cada ano...
Já a esquadra e o hospital
Ficam pr ́a segundo plano.
Vós políticos sois culpados
Desta miséria da gente
Deixo-vos dois rebuçados
Que o povo fica contente
Dividir para reinar,
Já é estratégia antiga,
Tomem bem cuidado
É isto que nos fazem à vida!
Mas não temam, há esperança,
Já temos hotel de luxo!
Já nem penso no hospital,
vou para o resort se me doer o bucho!
Ó mandantes desta praça,
Estão a ouvir Srs. doutores?!
Os jardins têm mais graça
Sem feiras e sem tractores.
Para vós guardei tormentos
Tsunamis, tempestades
Serão só suaves ventos
Soprando minhas vontades.
O país vai de novo a votos,
Parece prática comum
E no meio de tanta campanha
Não quero escolher nenhum!
Políticos sérios e com ética
Estão em risco de extinção
Que entre empresas e filhos,
São eles que comem o pão!
Vão encher-vos de sonhos
Todos cobrados a crédito
Pra que não fiqueis tristonhos
Não é o feito inédito.
Preguem um molho de cravos
Bem na cabeça do facho
Lembrar como somos bravos
Quando os vemos comer do tacho.
Ah, se forem agora de férias,
Atenção com a bagagem
É que há um Judas que a rouba
E nem cuecas te sobra para viagem!
Se na Europa há guerra,
E todos desejam a paz,
Há guerras noutros continentes,
Mas a opinião pública nada faz.
Não há dúvidas, nem para mim,
Que não há justiça na guerra,
Mas não é por ser mais longe
Que me esqueço dessa terra.
Palestina será falada
Nos livros de história futuros,
Somos nós as testemunhas
Dos tempos mais obscuros.
E lá pelas Américas
O que se andará a passar?
Será que não há um meio
Daquele abestado calar?
Eu, o Fogo,
Sou a chama de todos vós
Não criei também aquele… coiso
Ele nem tem mãe nem avós.
Com o medo e o orgulho
Pensa conseguir reinar
A que custo, de que vidas
Esta loucura irá continuar?
Se há gente que ele detesta,
são os de fora a chegar.
Mas sem o braço que emprestam,
quem é que vai trabalhar?
Uns gritam: “fechem a porta,
não deixem mais imigrar!”
Mas esquecem que esta horta
já não tem quem a lavrar.
Dizem que são um problema,
mas não veem a razão:
a reforma está em cena
graças à sua contribuição.
O país vai envelhecendo,
já nascem poucos por cá.
Se não forem bem-vindos,
quem é que nos cuidará?
Por isso a todos e todas
Que são anti-imigração,
Chuva e frio vos congele
O preconceito e a posição.
Nesse barco o ódio é o isco
com que se pescam os desprevenidos.
Não fizemos Abril p’ra isto
Remem daqui ou estamos Fudidos!
Não vos quero dizer mais,
Porque muito já foi dito,
Agora não se demitam
Do que combinamos neste escrito.
É urgente que não esqueças,
O fogo sozinho não faz
Nem mesmo com a Primavera
Toda a transformação e paz!
É preciso que te ponhas
Hoje mesmo em ação,
Não vivemos tempos fáceis,
Se há solução
é com união!
Se há solução
é com união!
E agora o fogo vou levar para o Judas queimar.
Judas 2025
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